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sábado, 1 de julho de 2017

Em dia de greve, manifestantes são detidos e sindicato é invadido pela PM


Em diversas cidades houve repressão policial; em São Paulo, polícia tomou celular de manifestantes e as encaminhou ao DP.
Por Mayara Paixão, no Brasil de Fato 
As mobilizações nacionais em defesa de direitos e contra as reformas de Michel Temer (PMDB) registram casos de violência contra manifestantes e um sindicato. Nesta sexta-feira (30), houve repressão policial em alguns atos e militantes foram detidos em São Paulo, em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul, já um sindicato no Rio de Janeiro foi invadido por policiais.
Desde cedo, diversas categorias estão paralisadas, além de sindicatos e movimentos populares realizando paralisações e atos por todo o país. Os protestos fazem parte da chamada “greve por direitos”, convocada por todas as centrais sindicais, que se mobilizam contra as reformas previdenciária e trabalhista. Atos públicos em apoio à paralisação, chamados pelas Frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo, também ocorrem em diversas cidades.
São Paulo
Na capital paulista, duas militantes da Central de Movimentos Populares (CMP), foram detidas pela polícia militar, em torno das 8:30. Elaine Gonçalves da Silva e Antonia Glaucia de Araújo estavam comprando o café da manhã em uma padaria na Região Central quando foram abordadas e detidas por policiais sem maiores justificativas, aponta o movimento. Mais cedo, as duas tinham participado do trancaço que ocorreu no cruzamento da Avenida São João com a Ipiranga.
“Eu estava tomando um café, aí os policiais chegaram já me puxando, me jogaram dentro da viatura, falaram que era para eu ir para a delegacia, me bateu, tomou meu celular e ficou ouvindo os meus áudios, me algemaram. Eu não tinha nada a ver com isso, foi terrível”, relatou Elaine, em vídeo publicado pela central.
Na avaliação de Raimundo Bonfim, coordenador da CMP, a ação reflete o processo de “criminalizar a luta social e impedir o direito, assegurado na Constituição Federal, de se manifestar à luz do dia”.
“Como sempre, a Polícia Militar brasileira, mas em especial a do estado de São Paulo, comandada por Geraldo Alckmin do PSDB, age com o modus operandi deles em manifestação: total repressão”, completa o dirigente que, nesta manhã, também foi ameaçado de detenção na manifestação que ocorreu na Rodovia Anchieta.
Elaine e Antonia foram encaminhadas para o 3º Distrito Policial para averiguação. O Brasil de Fato tentou contato com o DP para esclarecer os motivos da detenção, mas não obteve resposta até a publicação da matéria. As manifestantes já foram liberadas.
Em São José dos Campos, interior do estado, 21 trabalhadores – entre professores, diretor do sindicato dos químicos, dos metalúrgicos, ativistas dos sem-teto e sem-terra –, que participaram do ato contra as reformas foram detidos e levados para o 1° DP da cidade. A detenção ocorreu após lojistas alegarem que se sentiam constrangidos com o protesto, o que poderia ser enquadrado no artigo 197, crime de constrangimento. Todos foram liberados algumas horas depois e após os lojistas não reconheceram nenhum dos ativistas.
No início da noite, a Polícia Militar reprimiu e deteve manifestantes que participavam de um ato de estudantes que saiu da Praça da Sé e se dirigia à Avenida Paulista, em São Paulo. Segundo relatos, seis pessoas foram levadas para o 78º Distrito Policial, no bairro dos Jardins. A reportagem tentou entrar em contato com este DP, mas não obteve retorno.
Santa Catarina
As mobilizações feitas no estado de Santa Catarina foram palco de grande repressão da Polícia Militar, que usou balas de borracha e bombas de efeito moral, de acordo com relatos dos manifestantes. Dois militantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) foram detidos pela PM, segundo eles, sem apresentação de justificativas, durante o trancamento da BR 101, na altura do município de Navegantes.
“Eles chegaram atirando. A gente estava bem tranquilo, assim como os motoristas. Não tinha nenhum motivo para eles chegarem como chegaram. Começaram a atirar e nós corremos para o posto de gasolina para nos proteger”, relatou Révero Ribeiro, do MST, que estava presente no momento das detenções.
“A segunda pessoa que foi presa tinha ido tentar conversar com a polícia e foi algemada, em uma atitude completamente repressiva, porque  as algemas só devem ser usadas quando a pessoa apresentar resistência à prisão”, comentou a advogada do movimento Daniela Cristina Rabaioli, sobre as circunstâncias da detenção.
A Polícia Militar não informou para qual local os manifestantes estavam sendo levados. Para a advogada, que acompanha o caso, isso já representa uma arbitrariedade, já que é direito do cidadão ser informado para onde será levado.
Ela também apresentou que o receio se baseia em um precedente do ano de 2010, quando um militante do movimento foi detido e ficou incomunicável e sem acesso à defesa por cerca de 12 horas, já que a PM não informou para onde ele tinha sido encaminhado. “A incomunicabilidade do preso é uma violação muito grave de direitos”, completa.
Após cerca de três horas, os advogados souberam que os dois militantes foram levados para uma delegacia no município de Itajaí.
Momento de detenção de um dos militantes do MST em Santa Catarina | Foto: CUT

Rio de Janeiro
No Rio, representantes do Sindicato dos Comerciários de Nova Iguaçu denunciam que a Polícia Militar teria invadido, sem identificação, a sede do local pela manhã, pouco antes do ato que acontece no município.
Um dos dirigentes do Sindicato, Zé Roberto, relatou, em conversa com o Brasil de Fato, que a PM adentrou o local por volta das 9h e tentou levá-lo detido, mas a mobilização dos trabalhadores presentes a impediu. “Foi um artifício para desmobilizar os trabalhadores que participam agora de um grande ato em nova Iguaçu. Querem tentar impedir e barrar, a todo o momento, a nossa luta”, disse o dirigente.
A reportagem entrou em contato com a Delegacia de Polícia Judiciária Militar de Nova Iguaçu por telefone e por e-mail, mas não obteve resposta até o fechamento deste texto.
Porto Alegre
Dois dirigentes da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) foram detidos na manhã desta sexta, durante um piquete em frente à garagem da empresa Carris, em Porto Alegre (RS). Segundo a assessoria de imprensa, os dois manifestantes foram levados ao Palácio da Polícia e já foram liberados.
A CTB preferiu não informar os nomes dos dirigentes da central que foram detidos. Segundo a entidade, os dois militantes estavam em frente à garagem da empresa de transporte quando foram abordados por dois policiais à paisana, que os fizeram ajoelhar no chão e os deram socos. Um deles ficou com o rosto inchado pelos golpes, mas não prestou queixa ou se dirigiu a um hospital, segundo relato.
Pelas redes sociais circulam informações de detenções de outros dois dirigentes da CSP Conlutas; contatada pela reportagem, a organização não passou informações oficiais do ocorrido.
Brasil de Fato entrou em contato com o Palácio da Polícia, que não soube informar sobre o caso, e ainda aguarda retorno da Revisão do Flagrante da Divisão de Justiça Judiciária, em Porto Alegre.
Foto de capa: Jornalistas Livre
C/ Revista Fórum

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